Assistir a uma demonstração de caligrafia japonesa, hoje cada vez mais comum nos eventos de divulgação da cultura nipônica no Brasil, permite um olhar mais apurado na relação do corpo com a escrita. O corpo avança, retrocede, mergulha; os joelhos semi-dobrados ou dobrados são suporte para os diferentes ritmos e estilos de escrita. Às vezes, o corpo quase se suspende no ar – os pés se alternam como passos de dança e de um ritual. Em outras, o trabalho tranquilo da criação lembra um dia tranquilo de uma praia, graveto à mão, escrevendo sob a areia . Essas metáforas lembram Laban:
Um observadorde uma pessoa em movimento fica imediatamente consciente, não apenas dos percursos e ritmos de movimento, mas também das atmosferas que os percursos carregam em si, já que são tingidas pelos sentimentos e pelas idéias. E o conteúdo dos pensamentos e emoções que tem ao nos movermos ou ao observarmos o movimento podem ser analisados tanto quanto as formas e linhas traçadas no espaço. (Laban citado por Ciane Fernandes, O corpo em movimento, 2002).
A caligrafia japonesa, portanto, extrapola a imagem de algo estático e padronizado, pois sua escrita depende, entre outras coisas, de cada pessoa que a escreve e de sua intenção – ou, porque não dizer, do seu kokoro – coração/mente, em japonês.
foto: sensei Wakamatsu e sensei Ishikawa fazendo demonstração de caligrafia em São Paulo, 2007.

Venho aqui agradecer aos professores Sr. Wakamtsu e Sra Ishikawa, pelo workhop apresentado este fim de semana no Bunkyo.
Participar e aprender um pouco desta arte tão singela e ao mesmo tempo tão importante, é uma demonstração de enorme generosidade por parte dos senhores e da Associação Shodô Do Brasil.
Agradeço também aos professores que tiveram bastante paciência e carinho conoscos.
Muito obrigada!