Considerada como uma das artes mais tradicionais do Japão, a caligrafia japonesa é também uma das mais antigas. Os povos japoneses adotaram a escrita dos ideogramas chineses, a partir do século V. d.C., e herdaram, junto, o seu profundo respeito e admiração pela escrita como uma forma de arte.
Em japonês, duas palavras especialmente se referem à caligrafia japonesa com esse viés artístico: sho e shodô. Embora “sho” faça parte do ideograma “shodô”, no contexto atual das artes no Japão, essas palavras se referem a visões distintas da caligrafia japonesa, resultado de uma grande transformação no mundo da caligrafia, principalmente depois da segunda metade do século XX no Japão.
De certa forma, podemos dizer que são dois lados de uma mesma moeda. O que muda é como cada calígrafo encara o ideograma: “shodô” (sho, escrita; dô, caminho), ou “o caminho da escrita”, como se tornou conhecido ao longo dos séculos, diz respeito a uma arte mais tradicional, enquanto “sho” é a arte que lida com os caracteres de forma mais expressiva e autoral. chegando inclusive, na sua forma mais extrema, o zen-ei-sho, a formas abstratas, que em nada lembram o caracter original. Compartilham, no entanto, os mesmos materiais, a preocupação com a linha caligráfica e a reverência aos clássicos para aperfeiçoamento e treinamento. Mas os calígrafos de sho, embora reverenciem os clássicos, não se limitam apenas a eles, expandindo as possibilidades de criação artística da escrita.
No Brasil encontramos exemplos dessas duas correntes, e, em exposições de caligrafia, como a que é promovida anualmente pela Associação Shodô do Brasil, e que conta com a participação de outros grupos, isso fica evidente: trabalhos clássicos de caligrafia dividem espaço com caracteres de extrema força expressiva, às vezes completamente ilegíveis, mesmo para um leitor fluente de japonês.